segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Metropolia de Pittsburgh dos Rutenos


A Metropolia de Pittsburgh é a Sé primacial da  Igreja Rutena, também conhecida nos EUA como Igreja Católica Bizantina, uma das 22 Igrejas Orientais Sui juris em comunhão com a Igreja de Roma. Além do ramo norteamericano, existe um ramo europeu imediatamente sujeito à Santa Sé.

A Igreja Rutena resultou do trabalho missionário dos Santos Cirilo e Metódio, no século IX, entre o povo Rus' que vivia nos Cárpatos, região montanhosa na Europa Central. Tal região corresponde hoje ao sudoeste da Ucrânia, Hungria e Eslováquia.

Com o cisma de 1054 a Igreja dos Rutenos ou Russianos rompeu a comunhão com a Igreja de Roma ao se associar a Constantinopla. No século X, entretanto, com a invasão dos húngaros, a região foi palco de intenso trabalho missionário católico. Em 1646, com a União de Uzhhorod, 63 clérigos rutenos foram recebidos na Igreja Católica. Em 1664 a união alcançou Mukachevo.

Apesar das promessas de autonomia, a Igreja dos Rutenos careceu de organização canônica por décadas. O bispo ruteno era, na prática, mero vigário ritual do bispo latino de Eger e os sacerdotes orientais serviam como auxiliares nas paróquias latinas. A situação só foi resolvida pelo Papa Clemente XIV em 1771 que, a pedido da Imperatriz Maria Teresa, erigiu a Eparquia de Mukachevo. Em 1778 se criu um seminário em Uzhhorod.

A Igreja dos Rutenos na Ucrânia ocidental desenvolveu-se separadamente de sua congênere no leste da Ucrânia, embora etnicamente se assemelhem e geograficamente se situem na atual Ucrânia. Esta última viria a se constituir como a Igreja Ucraniana Católica.

No século XIX, uma onda de emigrantes partiu dos Cárpatos em direção à América, estabelecendo-se inicialmente na Pennsylvania. Em 1884, o Padre Ivan Voljanskyj, da Eparquia de Lviv, estabeleceu a primeira paróquia greco-católica em Shenandoah. Em pouco tempo outras paróquias foram edificadas. Dez anos depois chegaram mais sacerdotes, sobretudo de Mukachevo e de Presov, os quais atendiam a 30 paróquias e cerca de 100 mil fiéis.

A chegada de tantos católicos de rito e tradição diferentes causou perturbação na Igreja dos Estados Unidos. A hierarquia latina não desejava o desenvolvimento de Igrejas católicas étnicas e procurou de muitas maneiras criar obstáculos à sua expansão. Os bispos latinos insistiam na importância de unidade e identidade próprias da Igreja americana.

A situação só se agravou quando a Santa Sé instruiu os orientais a buscarem jurisdição dos bispos latinos e determinou que apenas os sacerdotes celibatários poderiam permanecer nos EUA, enquanto os casados deveriam regressar à Europa. A estreiteza de visão levou ao cisma do Padre Alexis Toth, o qual se associou ao bispo russo ortodoxo de São Francisco e fundou a Igreja Ortodoxa na América.

Apenas em 1902, e novamente a pedido do governo húngaro, a Santa Sé nomeou um Visitador Apostólico para os greco-católicos nos Estados Unidos. Tendo se apresentado como representante do governo húngaro, a missão do Padre Andrew Hodobay levou à divisão dos greco-católicos em Ucranianos, que recusaram o termo ruteno, e os rutenos - divididos estes em dois grupos, o de Presov e o de Uzhhorod.

Em 1907 o Padre Hodobay regressa à Europa e recomenda à Santa Sé a nomeação de um bispo para os greco-católicos. O escolhido foi o monge basiliano Soter Stephen Ortinsky. Além do problema causado pela sua origem ucraniana, considerada por alguns como razão de favorecimento aos clérigos ucranianos, faltou ao bispo uma jurisdição efetiva sobre as paróquias e os clérigos, estando sempre a depender dos bispos latinos.

Somente depois de muitas lutas internas, rivalidades étnicas, ameaças de cisma, a Santa Sé criou um Exarcado Apostólico para os fiéis rutenos em 1913. A esta altura já eram 152 paróquias, 43 missões e meio milhão de fiéis rutenos e ucranianos.

Em 1916, com a morte do exarca, a Santa Sé divide os fiéis em rutenos e ucranianos, nomeando dois administradores, sem ordem ou jurisdição para governar as duas comunidades.

Neste mesmo período, depois da Primeira Guerra, a Igreja Rutena na Europa se encontrava no território da Tchecoslováquia, e depois da Segunda Guerra, debaixo do império comunista soviético. Este perseguiu e oficialmente extinguiu os efeitos da União de Uzhhorod. A Igreja continuou a existir na clandestinidade.

Na América a solução encontrada pela Santa Sé foi a de nomear dois bispos, um para os Ucranianos e outro para os Rutenos, entre os quais se contavam eslovacos, húngaros e croatas. Em 1924 foi criado o Exarcado Apostólico e nomeado o Padre Basil Takach, da Eparquia de Mukachevo, como exarca.

Em 1929 um novo cisma atingiu a Igreja Rutena nos Estados Unidos. A Santa Sé reiterou a proibição do exercício do ministério de sacerdotes casados na América e, tendo sido em vão seus muitos protestos, o bispo teve de fazer valer a imposição. O cisma fez surgir a Diocese Ortodoxa Americana Cárpato-Russa dos EUA, formada por paróquias, clérigos e fiéis que rejeitaram a imposição de Roma.

Refletindo o crescimento da Igreja sob a autoridado do Bispo Nicholas Elko, a Santa Sé dividiu o exarcado Apostólico em dois, elevando cada jurisdição à condição de Eparquia em 1963. Em 1969, a Eparquia de Pittsburgh foi elevada à Arquieparquia de Munhall. Em 1977 a Arquieparquia retoma seu antigo nome de Arquieparquia de Pittsburgh dos Rutenos.

Com a queda do comunismo e a independência da Ucrânia a Eparquia de Mukachevo dos Rutenos pode emergir da clandestinidade. As paróquias foram restabelecidas e a vida eclesial voltou a florescer. Em 1991 a Santa Sé confirmou um bispo e dois auxiliares que haviam sido sagrados na clandestinidade. Em 1997 a Eparquia já possuía novamente 264 paróquia e 161 sacerdotes, como também o Seminário de Uzhhorod. Em 1996, a Santa Sé criou um Exarcado Apostólico para os Rutenos na República Tcheca.

A Eparquia de Mukachevo dos Rutenos na Ucrânia tem resistido tanto à assimilação pela majoritária Igreja Ucraniana, quanto a submissão num único Sínodo à Metropolia de Pittsburgh. Embora o bispo de Mukachevo assista ao Sínodo da Igreja Ucraniana, ele responde unicamente à Santa Sé. O mesmo vale para o Exarca Apostólico na República Tcheca.

A Igreja Rutena conta hoje com três distintas jurisdições:

O ramo americano formado por uma Metropolia Sui juris, com 3 Eparquias sufragâneas;
O ramo europeu formado pela Eparquia de Mukachevo na Ucrânia e o Exarcado Apostólico na República Tcheca, ambos imediatamente sujeitos à Santa Sé.

Nos Estados Unidos os Rutenos são cerca de 170 mil membros; são 320 mil na Ucrânia e 8 mil na República Tcheca. 

Governo

Sua Exª Revma. Dom William Charles Scurla
Arcebispo Metropolita de Pittsburgh dos Rutenos



Nascimento: 1º/06/1956, em Duluth - EUA
Ordenação Sacerdotal: 23/05/1987
Sagração Episcopal: 23/04/2002
Nomeação: 19/01/2012

Site Oficial da Metropolia: http://www.archpitt.org/

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Arquidiocese Maior de Fagaras e Alba Iulia dos Romenos



A Arquidiocese Maior de Fagaras e Alba Iulia é a Sé Primacial da Igreja Romena, umas das 22 Igrejas Orientais Sui juris em comunhão com a Igreja de Roma.

A província romana da Mésia Inferior foi palco do martírio de inúmeros cristãos no século III, atestando assim uma presença cristã já consolidada. Nos séculos seguintes, até o décimo, as fontes tão escassas sugerem uma diminuição do número de cristãos.

O documento mais antigo que indica a presença de uma hierarquia ortodoxa entre os Romenos é uma bula papal de 1234. Nos territórios a leste e a sul dos Cárpatos duas Sés Metropolitanas, sujeitas ao Patriarca de Constantinopla, foram estabelecidas após a fundação dos principados da Valáquia e da Moldávia. Nos territórios a oeste, pertencentes ao Reino da Hungria, foram fundadas dioceses latinas e os ortodoxos eram somente tolerados. Estes territórios viriam a ser o Principado da Transilvânia no século XVI. Os três principados viriam a constituir a Romênia atual apenas no século XIX.

Em 1687 os Habsburgos conquistaram a Transilvânia. Em 1698 o Metropolita Athanasie Anghel Popa entrou em comunhão com a Igreja de Roma, como resultados das negociações iniciados por seu antecessor na Sé de Balgrad (Alba Iulia), Teofil Seremi. A união foi formalizada em 4 de setembro de 1700 por um Sínodo de Bispos. Deste Sínodo surgiu a Igreja Romena de Rito Bizantino.

Em 1721 a Sé mudou-se de Alba Iulia para Fagaras e em 1737 para Blaj, cidade que se tornou o centro da cultura e do despertar nacionalista dos romenos. A Igreja Romena, diferentemente das jurisdições ortodoxas, utiliza desde sua fundação o vernáculo romeno, e não o antigo eslavônico, na Divina Liturgia.

Em 1853 a Diocese de Fagaras é elevada à condição de Arquidiocese e um ano depois à de Metropolia Sui juris de Fagaras e Alba Iulia. Até então a diocese estivera sob a jurisdição do Primaz latino de Esztergom.

Em 1872 as jurisdições ortodoxas nos territórios da Moldávia e da Valáquia se uniram formando a Igreja Romena Ortodoxa, reconhecida por Constantinopla em 1885 e elevada a Patriarcado em 1925.

Ao final da Primeira Guerra Mundial a Transilvânia uniu-se à Romênia, já formada pela Moldávia e Valáquia. Os católicos viram-se assim no interior de um país majoritariamente ortodoxo. Por volta de 1940 havia cinco dioceses, 1 milhão e 500 mil fiéis e mais de 1500 sacerdotes.

O estabelecimento de um governo comunista na Romênia significou perseguição e destruição. Em 1948, um conciliábulo de 36 sacerdotes votou pelo fim da união com Roma e pela adesão à Igreja Ortodoxa. O governou decretou o fim da Igreja Greco-Católica e determinou que a maioria de seus bens fosse transferida para a Igreja Ortodoxa. Os seis bispos foram presos, cinco dos quais morreram na prisão.

O único sobrevivente, Juliu Hossu, bispo de Cluj-Gherla, foi posto em prisão domiciliar em 1964 e faleceu em 1970. O Papa Paulo VI o havia criado cardeal in pectore em 1969.

Em 1950, o sacerdote Alexandru Todea foi secretamente sagrado bispo. 

Após 41 anos de perseguições, os greco-católicos puderam emergir da clandestinidade, com o fim do governo comunista de Ceausescu. O bispo Alexandru Todea foi nomeado Metropolita de Fagaras e Alba Iulia em 14 de março de 1990, criado cardeal em 1991, e a hierarquia do país foi restabelecida pelo papa São João Paulo II.

Após o restabelecimento da Igreja Romena surgiram graves problemas com a hierarquia ortodoxa relativamente à devolução das propriedades confiscadas pelo regime e entregues aos ortodoxos. tais problemas ainda não foram satisfatoriamente resolvidos.

Em 4 de julho de 1994, o Bispo de Maramures dos Romenos, Lucian Muresan, sucedeu ao Cardeal Alexandru Todea como Metropolita de Fagaras e Alba Iulia dos Romenos. Em 16 de dezembro de 2005, a Metropolia foi elevada à condição de Arquidiocese Maior e Lucian Muresan seu primeiro Arcebispo Maior. Em 18 de fevereiro de 2012, o Papa Bento XVI criou Cardeal o Arcebispo Maior dos Romenos.

A Igreja Romena utiliza o Rito Bizantino.

Conta com cerca de 660 mil fiéis e está organizada em uma Arquidiocese Maior e seis dioceses, uma das quais em Canton, nos EUA. 

Governo

Sua Beatitude Eminentíssima o senhor Cardeal Lucian Muresan
Arcebispo Maior de Fagaras e Alba Iulia dos Romenos



Nascimento: 23/05/1931 em Ferneziu, Romênia,
Ordenação Sacerdotal: 19/12/1964
Sagração Episcopal: 27/05/1990 como Bispo de Maramures dos Romenos; promovido a Metropolita de Fagaras e Alba Iulia dos Romenos em 4/07/1994.
Promoção: 16/12/2005 a Arcebispo Maior de Fagaras e Alba Iulia dos Romenos.
Cardinalato: 18/02/2012

Site Oficial da Arquidiocese Maior: http://www.bru.ro/blaj/

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Falecimento do Cardeal PASKAI

Faleceu hoje, em Esztergom, o senhor Cardeal László Paskai, aos 88 anos. O Sacro Colégio dos Cardeais passa a contar com 218 purpurados, dos quais 120 são eleitores e 98 não-eleitores.

Sua Eminência Reverendíssima László Cardeal Paskai
Arcebispo Metropolita Emérito de Esztergom-Budapeste


Nascimento: 8/05/1927, em Szeged - Hungria.
Educação: Academia de Budapeste (doutorado em teologia).
Sacerdócio: 3/03/1951 para a Ordem dos Frades Menores.
Ministério Pastoral: trabalhos paroquiais; mestre de cerimônias; professor; diretor espiritual.
Episcopado: 5/04/1978 como Bispo titular e nomeado Administrador Apostólico de Veszprém; promovido a Bispo de Veszprém em 31/03/1979; promovido a Arcebispo Coadjutor de Kalocsa em 5/04/1982; promovido a Arcebispo de Esztergom-Budapest em 3/03/1987; renunciou ao governo da Arquidiocese em 7/12/2002.
Cardinalato: 26/06/1988 com o título de Santa Teresa "al Corso d'Italia".

Participou do conclave que elegeu o Papa Bento XVI.
Perdeu o direito de eleger o Pontífice Romano em 8/05/2007, quando completou 80 anos de idade.

Falecimento: 17/08/2015, em Esztergom - Hungria.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Arquidiocese Maior de Trivandrum dos Siro-Malankares



A Arquidiocese Maior de Trivandrum é a Sé Primacial da Igreja Siro-Malankar, uma das 22 Igrejas Orientais Sui juris em comunhão com a Igreja de Roma.

É uma das duas Igrejas dos Cristãos de São Tomé ou Mar Thoma Nasranis, cuja história remonta aos primórdios da era cristã. Segundo a tradição, São Tomé teria evangelizado o sul da Índia, mais precisamente o Kerala, no ano 52. Ali o Apóstolo teria convertido 12, em alguns relatos 32, famílias brâmanes, as quais deram origem aos Nasranis. A fonte escrita mais antiga são os Atos de Tomé, escritos no início do século IV, provavelmente em Edessa. Há referências à evangelização de São Tomé na Índia em Ambrósio, Gregório Nazianzeno, Jerônimo e Efrém. Eusébio de Cesareia menciona a visita de seu mestre, São Panteno, a comunidades cristãs na Índia no século II.

Com a chegada de missionários da Pérsia, da Igreja do Oriente, a Igreja na Índia se organizou e se expandiu com a chegada de São Tomás de Caná ou Canaã. A ele se deve a origem dos cristãos Knanaya, do sul, distintos dos cristãos do norte, descendentes diretos de São Tomé Apóstolo. No início do século IV, o Patriarca da Igreja do Oriente providenciou bispos e sacerdotes e, no século sétimo ampliou sua jurisdição sobre a Índia. Embora a Igreja da Índia nunca tivesse rompido a comunhão com a Igreja universal, por depender do Patriarca da Igreja do Oriente, já estava no cisma desde o século V.

No século VIII o Patriarca Timóteo I organizou a Província da Índia regida por um bispo enviado da Pérsia com o título de Metropolita da Sé de São Tomé e de toda a Igreja Cristã da Índia. Sua sede era provavelmente Cranganore ou Mylapore. Havia sob sua jurisdição certo número de clérigos, como também o Arquidiácono nativo, com autoridade sobre os clérigos e muitos poderes seculares.

Ao longo dos séculos, a distância e problemas geopolíticos levaram ao rompimento de contato entre a Igreja da Índia e a Igreja da Mesopotâmia em vários momentos, levando mesmo à supressão da Metropolia no século XI. As relações foram restabelecidas em 1301, mas novamente cortadas no mesmo século XIV com o colapso da Igreja do Oriente. No século XV a Igreja da Índia ficou sem metropolita por inúmeras gerações, tendo seus poderes sido exercidos pelo Arquidiácono.

Os Nasranis encontraram-se com os portugueses em 1498, quando se deu a expedição de Vasco da Gama. Logo firmaram com os portugueses uma aliança a fim de se protegeram durante um período de instabilidade política. Os portugueses fundaram uma Arquidiocese Latina em Goa e puseram os cristãos indianos sob a jurisdição do arcebispo latino.

Embora inicialmente moderados em sua relação com os cristãos nativos, os portugueses tornaram-se cada vez mais agressivos e, quando um cisma dividiu a Igreja do Oriente em duas, com dois patriarcas, os portugueses souberam manobrar a situação em seu favor e controlar a Igreja na Índia. Nem o patriarca da Igreja do Oriente nem o da Igreja Caldeia, em comunhão com Roma, puderam governar a Igreja da Índia. Em 1599, após a morte do último Metropolita Caldeu, Mar Abraham, o Arcebispo de Goa, tendo garantido a submissão do jovem Arquidiácono, organizou um sínodo em que implementou inúmeras reformas administrativas e litúrgicas na Igreja da Índia. O sínodo trouxe formalmente a Igreja da Índia à comunhão com a Igreja Católica, embora nunca tenha havido um rompimento formal. Mas algumas medidas de caráter social e litúrgico, assim como outras políticas coloniais, geraram insatisfações e revoltas.

Em 1653, o Arquidiácono Tomás reuniu-se com representantes da comunidade que decidiram não se submeter ao Arcebispo de Goa e reconhecer apenas o Arquidiácono como Pastor. Decidiram ainda que o Arcebispo devia ser consagrado bispo, o que se fez pela imposição de mãos de doze sacerdotes. Assim nasceu uma Igreja nativa, independente dos portugueses e governada pelo Metropolita de Malankara. Os portugueses tentaram uma reconciliação, mas não tiveram sucesso.

O Papa Alexandre VII enviou um bispo siríaco como chefe de uma delegação que conseguiu convencer a maioria de que a consagração do Arquidiácono como bispo foi inválida. O sacerdote Parambil Chandy Kathanar foi consagrado bispo com o título de Metropolita de toda a Índia em 1662. Mar Chandy foi o primeiro Matropolita nativo. Aqui surgiu o primeiro cisma permanente entre os cristãos da Igreja da Índia, os seguidores de Mar Chandy e os do Arquidiácono Tomás, a Igreja dos cristãos malabares (costa malabar da Índia) descendem dos primeiro, e a Igreja Malankar (ilha de Malliankara, lugar em que aportou São Tomé), dos últimos.


Em 1665 chegou a Índia Mar Gregorios, enviado pelo Patriarca Siríaco Ortodoxo de Antioquia, e o grupo dissidente sob a autoridade do Arquidiácono o acolheu bem. Os malankares aderiram às tradições teológicas e litúrgicas siríaco-ocidentais e passaram a ser conhecidos como Jacobitas.

No início do século XX, controvérsias relativas à legitimidade do Patriarca Siríaco Ortodoxo de Antioquia levaram à divisão dos Malankares. Surgiram a Igreja Ortodoxa Siríaca Malankara, autocéfala e sob a autoridade de um Catholicós e a Igreja Siríaca Jacobita Malankara, que apoiou o Patriarca.

Em 1912, a Igreja Ortodoxa Siríaca Malankar torna-se autônoma e autocéfala sob o Catholicós do Oriente Baselios Paulose I. Papel fundamental para a independência da Igreja foi desempenhado pelo sacerdote Geevarghese Panicker. Após a morte do primeiro Catholicós, o trono ficou vacante até 1925, quando foi eleito Baselios Geevarghese I.

Em 20 de setembro de 1930, um grupo de malankares da Igreja Ortodoxa Siríaca Malankara fez a profissão de fé católica e voltou à comunhão com a Igreja universal. Eles são o núcleo do que viria a ser a Igreja Siro-Malankar Católica. Eram eles: os bispos Geevarghese Mar Ivanios (Geevarghese Panicker) e Jacob Mar Theophilos, o sacerdote John Kuzhinapurath e o Diácono Alexander e o leigo Chacko Kilileth.

Em 11 de junho de 1932, o Papa Pio XI estabeleceu a hierarquia da Igreja Siro-Malankar criando a Metropolia de Trivandrum e a Eparquia de Tiruvalla, como sufragânea. Nomeou Mar Ivanios como Metropolita e Mar Theophilos como Eparca de Tiruvalla. Em 1937, Mar Severios da Igreja Ortodoxa Siríaca Malankar e recebido por Mar Ivanios na Igreja Católica e Mar Dioscoros, Metropolita knanaya da Igreja Siríaca Jacobita Malankara em 1939.

O segundo Metropolita, Benedict Mar Gregorios governou a Igreja Malankar de 1955 a 1994. Foi sucedido por Cyril Mar Baselios em 1995. Em 10/02/2005 a Arquidiocese de Trivandrum foi elevada à condição de Arquidiocese Maior, equiparada a um patriarcado, e Cyril Baselios Catholicós o primeiro Arcebispo Maior de Trivandrum dos Siro-Malankares. Morreu precocemente e foi substituído pelo quarto hierarca e segundo Arcebispo Maior, Baselios Cleemis Catholicós em 2007.

A Igreja usa o Rito Siríaco Ocidental, o qual compartilha com a Igreja Siríaca Católica e, em certa medida, pela Igreja Maronita, como também pelas contrapartes cismáticas de tradição siríaca e malankar.

Conta com mais de 400 mil fiéis na Índia e alguns milhares no exterior, sobretudo nos EUA.

Está organizada em uma Arquidiocese Maior, uma Arquidiocese Metropolita, 7 Dioceses e 2 Exarcados Apostólicos, um dos quais nos Estados Unidos.

Governo

Sua Beatitude Eminentíssima o senhor Cardeal Mar Baselios Cleemis Thottunkal
Arcebispo Maior-Catholicós de Trivandrum dos Siro-Malankares


 
Nascimento: 16/06/1959 em Mallapally, Índia.
Ordenação Sacerdotal: 11/06/1986
Sagração Episcopal: 15/08/2001 como Bispo Auxiliar de Trivandrum.
Eleição: 8/02/2007, confirmada pelo Papa em 10/02/2007.
Cardinalato: 24/11/2012

Site alternativo da Arquidiocese Maior: http://www.syromalankara.org/

Arquidiocese Maior de Ernakulam-Angamaly dos Siro-Malabares



A Arquidiocese Maior de Ernakulam-Angamaly é a Sé Primacial da Igreja Siro-Malabar, uma das 22 Igrejas Orientais Sui juris em comunhão com a Igreja de Roma.

É uma das duas Igrejas dos Cristãos de São Tomé ou Mar Thoma Nasranis, cuja história remonta aos primórdios da era cristã. Segundo a tradição, São Tomé teria evangelizado o sul da Índia, mais precisamente o Kerala, no ano 52. Ali o Apóstolo teria convertido 12, em alguns relatos 32, famílias brâmanes, as quais deram origem aos Nasranis. A fonte escrita mais antiga são os Atos de Tomé, escritos no início do século IV, provavelmente em Edessa. Há referências à evangelização de São Tomé na Índia em Ambrósio, Gregório Nazianzeno, Jerônimo e Efrém. Eusébio de Cesareia menciona a visita de seu mestre, São Panteno, a comunidades cristãs na Índia no século II.

Com a chegada de missionários da Pérsia, da Igreja do Oriente, a Igreja na Índia se organizou e se expandiu com a chegada de São Tomás de Caná ou Canaã. A ele se deve a origem dos cristãos Knanaya, do sul, distintos dos cristãos do norte, descendentes diretos de São Tomé Apóstolo. No início do século IV, o Patriarca da Igreja do Oriente providenciou bispos e sacerdotes e, no século sétimo ampliou sua jurisdição sobre a Índia. Embora a Igreja da Índia nunca tivesse rompido a comunhão com a Igreja universal, por depender do Patriarca da Igreja do Oriente, já estava no cisma desde o século V.

No século VIII o Patriarca Timóteo I organizou a Província da Índia regida por um bispo enviado da Pérsia com o título de Metropolita da Sé de São Tomé e de toda a Igreja Cristã da Índia. Sua sede era provavelmente Cranganore ou Mylapore. Havia sob sua jurisdição certo número de clérigos, como também o Arquidiácono nativo, com autoridade sobre os clérigos e muitos poderes seculares.

Ao longo dos séculos, a distância e problemas geopolíticos levaram ao rompimento de contato entre a Igreja da Índia e a Igreja da Mesopotâmia em vários momentos, levando mesmo à supressão da Metropolia no século XI. As relações foram restabelecidas em 1301, mas novamente cortadas no mesmo século XIV com o colapso da Igreja do Oriente. No século XV a Igreja da Índia ficou sem metropolita por inúmeras gerações, tendo seus poderes sido exercidos pelo Arquidiácono.

Os Nasranis encontraram-se com os portugueses em 1498, quando se deu a expedição de Vasco da Gama. Logo firmaram com os portugueses uma aliança a fim de se protegeram durante um período de instabilidade política. Os portugueses fundaram uma Arquidiocese Latina em Goa e puseram os cristãos indianos sob a jurisdição do arcebispo latino.

Embora inicialmente moderados em sua relação com os cristãos nativos, os portugueses tornaram-se cada vez mais agressivos e, quando um cisma dividiu a Igreja do Oriente em duas, com dois patriarcas, os portugueses souberam manobrar a situação em seu favor e controlar a Igreja na Índia. Nem o patriarca da Igreja do Oriente nem o da Igreja Caldeia, em comunhão com Roma, puderam governar a Igreja da Índia. Em 1599, após a morte do último Metropolita Caldeu, Mar Abraham, o Arcebispo de Goa, tendo garantido a submissão do jovem Arquidiácono, organizou um sínodo em que implementou inúmeras reformas administrativas e litúrgicas na Igreja da Índia. O sínodo trouxe formalmente a Igreja da Índia à comunhão com a Igreja Católica, embora nunca tenha havido um rompimento formal. Mas algumas medidas de caráter social e litúrgico, assim como outras políticas coloniais, geraram insatisfações e revoltas.

Em 1653, o Arquidiácono Tomás reuniu-se com representantes da comunidade que decidiram não se submeter ao Arcebispo de Goa e reconhecer apenas o Arquidiácono como Pastor. Decidiram ainda que o Arcebispo devia ser consagrado bispo, o que se fez pela imposição de mãos de doze sacerdotes. Assim nasceu uma Igreja nativa, independente dos portugueses e governada pelo Metropolita de Malankara. Os portugueses tentaram uma reconciliação, mas não tiveram sucesso.

O Papa Alexandre VII enviou um bispo siríaco como chefe de uma delegação que conseguiu convencer a maioria de que a consagração do Arquidiácono como bispo foi inválida. O sacerdote Parambil Chandy Kathanar foi consagrado bispo com o título de Metropolita de toda a Índia em 1662. Mar Chandy foi o primeiro Matropolita nativo. Aqui surgiu o primeiro cisma permanente entre os cristãos da Igreja da Índia, os seguidores de Mar Chandy e os do Arquidiácono Tomás, a Igreja dos cristãos malabares (costa malabar da Índia) descendem dos primeiro, e a Igreja Malankar (ilha de Malliankara, lugar em que aportou São Tomé), dos últimos.

Com a morte de Mar Chandy em 1687 e sem um sucessor nativo, os cristãos de São Tomé passaram a ser governados por hierarcas latinos. A partir de 1887 ganharam sua própria circunscrição eclesiástica coma criação do Vicariato Apostólico de Kottayam dos Siro-Malabares, posteriormente dividido em dois, os Vicariatos Apostólicos de Changanacherry e o de Ernakulam. Em 21 de dezembro de 1923 o Vigariato Apostólico foi elevado a Metropolia e o Metropolita se tornou o chefe da Igreja Siro-Malabar.

Em 16 de dezembro de 1992, o status canônico foi elevado a Arquidiocese Maior com o nome mudado para Ernakulam-Angamaly, e o metropolita se tornou Arcebispo Maior com a jurisdição equiparada a de um patriarca.

A Igreja usa o Rito Siríaco Oriental, o qual compartilha com a Igreja Caldeia, da qual descende. No seu território de origem conta com 4 milhões e meio de fiéis e alguns milhares em países de recente imigração indiana. É a segunda Igreja Oriental Sui juris em número, atrás apenas da Igreja Ucraniana.

Está organizada em uma Arquidiocese Maior, 4 Arquidioceses Metropolitas, 26 dioceses, duas das quais no exterior (EUA e Austrália), e um Exarcado Apostólico (Canadá).

Governo

Sua Beatitude Eminentíssima o senhor Cardeal Mar George Alencherry
Arcebispo Maior de Ernakulam-Angamaly dos Siro-Malabares



Nascimento: 19/04/1945 em Thuruthy, Índia.
Ordenação Sacerdotal: 19/11/1972
Sagração Episcopal: 2/02/1997 como Bispo de Thuckalay dos Siro-Malabares.
Eleição: 24/05/2011, confirmada pelo Papa em 25/05/2011
Cardinalato: 18/02/2012

Site Oficial da Arquidiocese Maior: http://www.ernakulamarchdiocese.org/index.php

Arquidiocese Maior de Kyiv-Halyc dos Ucranianos



A Arquidiocese Maior de Kyiv-Halyc é a Sé Primacial da Igreja Ucraniana, uma das 22 Igrejas Orientais Sui juris em comunhão com a Igreja de Roma. 

De acordo com a tradição local, o primeiro evangelizador da atual Ucrânia foi o Apóstolo Santo André, que teria pregado o Evangelho na Cítia. Alguns relatos o situam em Kiev, no ano 55, onde teria plantado uma cruz e profetizado sobre uma grande cidade cristã. Também São Tito teria chegado a Kiev acompanhado de três discípulas cítias, as santas Ina, Pina e Rima. Também os bispos de Roma, São Clemente e São Martinho teriam sido exilados na Crimeia em 102 e 655 respectivamente. Fato inconteste é a presença de um bispo da Cítia no Concílio de Niceia (325) e no de Constantinopla (381). Ali, sob os auspícios de Constantinopla foi erigido uma metropolia para os cristãos ostrogodos.

No século IX, coube aos santos Cirilo e Metódio avançarem com trabalho evangelizador na região noroeste a pedido do soberano da Morávia e enviados por Constantinopla. Seus esforços de traduzir as Sagradas Escrituras e a Liturgia do grego para o eslavônico, para o qual desenvolveram um alfabeto, foram apoiados pelo Bispo de Roma.

Assim, por volta do século IX, a maioria da população eslava do sul e do ocidente da atual Ucrânia já professava o cristianismo. Foram os eslavos orientais, entretanto, mais precisamente o povo Rus', que vieram a dominar o território da atual Ucrânia.

Os príncipes Rus', Askold e Dir, que invadiram Constantinopla em 860, foram batizados naquela cidade. Embora tenham promovido o cristianismo entre os Rus' por cerca de 20 anos, foram assassinados pelo príncipe Oleg, pagão, na disputa pelo trono. No final do século IX, o Patriarca Fócio I de Constantinopla já havia enviado bispos e padres para Kiev. A gradual aceitação do cristianismo pela nobreza Rus' avançou notavelemente com a conversão e o batismo da Princesa Olga em 955. Coube a seu neto Vladimir o Grande tornar o Principado de Kiev um Estado cristão. Em 988, com o batismo em massa no Rio Dniepre, o cristianismo se tornou majoritário no território.

Com o Grande Cisma de 1054, a Igreja dos Rutenos ou Russianos, proto-ucraniana, se manteve associada ao Patriarcado de Constantinopla e assim perdeu a comunhão com a Igreja universal. 

Em 1240, os mongóis destruíram Kiev e o metropolita mudou-se para Vladimir, na atual Rússia, em 1299. Em 1326, o metropolita Pedro de Kiev estabeleceu-se em Moscou, e em 1328 mudou seu título para Metropolita de Moscou. Em 1453 foi oficializada a divisão na Igreja do povo Rus', com uma metropolita em Moscou (Igreja Russa) e outra em Kiev (Igreja Rutena), sob o grão-ducado da Lituânia. 

Depois de anos de perseguições, por exigência do monarca católico, Sigismundo III Vasa, clérigos e fiéis ortodoxos se submeteram à Igreja de Roma, no que ficou conhecido como União de Brest em 1595. A união não foi aceita por todos, o que levou ao surgimento de uma Igreja Ortodoxa afiliada a Moscou na Ucrânia e na Bielorrússia.

No século XVII, o metropolita católico deixou Kiev e se estabeleceu em Navahrudak, Bielorrússia, e em Vilnius, Lituânia. Neste mesmo período se deu o processo de especialização da língua rutena em três idiomas próprios, o Ucraniano, o Bielorrusso e o Russo.

Com o fim do Grão-Ducado da Lituânia e a partição da Polônia, o território da Igreja Rutena (Greco-Católica) foi dividido entre a Rússia e a Áustria em 1795. Apesar de inicialmente tolerada no Império Russo, a Igreja Greco-Católica foi oficialmente abolida em 1839 e suas propriedades transferidas para a Igreja ortodoxa; cerca de 7 milhões de greco-católicos aderiram à ortodoxia. A dissolução da Igreja completou-se em 1875.

Antes destes acontecimentos o Papa já havia transferido a jurisdição da metropolia de Kiev para a de Lviv, na atual Ucrânia Ocidental, então situada no Império Austro-Húngaro. Nesta região a Igreja Greco-Católica Rutena tornou-se grandemente majoritária. Muito deve aos greco-católicos o renascimento cultural ucraniano, o qual posteriormente daria origem a movimentos nacionalistas.

Com o fim do Império Austro-Húngaro, após a Primeira Guerra Mundial os greco-católicos se viram sob a autoridade de países como Polônia, Hungria, Romênia e Tchecoslováquia. Poucos anos depois, com o fim da Segunda Guerra Mundial, estavam debaixo do poder da Rússia comunista, a União Soviética. Um sínodo forjado reuniu-se em Lviv e revogou a União de Brest e as propriedades transferidas para a Igreja Ortodoxa Russa. A emigração para EUA, Canadá e Brasil, que já começara nos anos anteriores, cresceu neste período.

Apesar da perseguição em massa dos greco-católicos e do favorecimento dos ortodoxos, uma Igreja subterrânea continuou existindo na Ucrânia, com seminários e ordenações secretas. Também floresceu a Igreja na diáspora. O Metropolita de Lviv, Yosyf Slipyi, que passara anos nas prisões soviéticas foi libertado e mandado ao exílio. Houve grande campanha em favor da criação de um patriarcado para os Ucranianos, o que foi rejeitado por Paulo VI e sua ambígua diplomacia. O Papa criou, entretanto, a Arquidiocese Maior de Lviv dos Ucranianos em 1963. Em 1965 o Papa criou cardeal o Arcebispo-Maior dos Ucranianos.

Na década de 80, a Igreja Greco-Católica Ucraniana pode voltar oficialmente a existir na União Soviética. O problema das propriedades eclesiásticas seria uma das principais causas de desentendimento entre os greco-católicos e os ortodoxos na Ucrânia, e entre Roma e Moscou internacionalmente.

Em 2004, o então Arcebispo Maior de Lviv dos Ucranianos, Cardeal Lubomyr Husar, retornou a sede da Arquidiocese Maior para Kyiv.

A Igreja Ucraniana usa o Rito Bizantino, o qual compartilha com os demais ortodoxos na Ucrânia. Conta com mais de 5 milhões de fiéis na Ucrânia e milhares de outros na diáspora, sendo a maior Igreja Oriental Católica.

Está organizada em uma Arquidiocese Maior, sé equiparada a um patriarcado, 7 Arquidioceses Matropolitas, 18 Dioceses, um Exarcado Apostólico e 5 Exarcados Arquiepiscopais.

Governo

Sua Beatitude Sviatoslav Shevchuk
Arcebispo Maior de Kyiv-Halic dos Ucranianos

    
Nascimento: 5/05/1970 em Stryi, Ucrânia
Ordenação Sacerdotal: 26/06/1994
Sagração Episcopal: 7/04/2009 como Bispo Auxiliar de Buenos Aires dos Ucranianos.
Eleição: 23/03/2011, confirmada pelo Papa em 25/03/2011.

Sua Beatitude Eminentíssima o senhor Cardeal Lubomyr Husar
Arcebispo Maior Emérito de Kyiv-Halic dos Ucranianos


Nascimento: 23/02/1933 em Lviv, Ucrânia.
Ordenação Sacerdotal: 30/03/1958
Sagração Episcopal: 2/04//1977 como Bispo Auxiliar de Lviv dos Ucranianos.
Eleição: 25/01/2001, confirmada pelo Papa em 26/01/2001. Renunciou ao governo da Arquidiocese Maior em 10/02/2011.
Cardinalato: 21/02/2001 (não-eleitor).

Site Oficial da Arquidiocese Maior: http://www.kyiv.ugcc.org.ua/

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Patriarcado de Antioquia dos Sírios



O Patriarcado de Antioquia dos Sírios é a Sé Primacial da Igreja Siríaca, uma das 22 Igrejas Orientais Sui juris em comunhão com a Igreja de Roma.

A Igreja de Antioquia, na atual Turquia, é considerada a Igreja dos gentios mais antiga do mundo, segundo São Lucas, ele próprio um sírio de língua grega. Ali os discípulos do Senhor receberam, pela primeira vez, o nome de cristãos.  A de Jerusalém, por outro lado, era formada basicamente por judeus conversos. Os Apóstolos São Pedro e São Paulo são considerados os fundadores da Igreja, tendo sido São Pedro seu primeiro bispo. Antes de partir para Roma, São Pedro deixou os Santos Evódio e Inácio como chefes, tendo ambos perecido debaixo da perseguição romana.

No primeiro Concílio de Niceia (325) é reconhecida a importância do bispo de Antioquia e à Sé é conferida a condição de Patriarcado, juntamente com Roma, Alexandria e Jerusalém. 

A proeminência da Igreja de Antioquia tornou ainda mais dramática a disputa em torno da profissão de fé calcedoniana. Em 518, o Patriarca Mar Severius de Antioquia, anti-calcedoniano, foi deposto e procurou refúgio em Alexandria. De Alexandria, passando por várias mosteiros na Mesopotâmia, ao longo dos séculos, os patriarcas cismáticos se estabeleceram na Turquia, e mais recentemente em Homs e, por fim, em Damasco, na Síria. Este patriarca manteve uma sucessão ininterrupta como chefe da Igreja Siríaca Ortodoxa. 

O Patriarcado de Antioquia passou a ser governado por Patriarcas Calcedonianos e se manteve assim na comunhão católica até o século XI com o Grande Cisma do Oriente.

Houve inúmeras e infrutíferas tentativas de reunião com os cismáticos siríacos no tempo das Cruzadas, sobretudo pelas boas relações entre bispos católicos e siríacos. Também houve uma tentativa durante o Concílio de Basileia-Ferrara-Florença, mas alguns bispos siríacos se opuseram e prevaleceram.

Em 1626 capuchinhos e jesuítas chegam a Allepo e muitos siríaco são recebidos na Igreja Católica. Este núcleo católico logrou eleger um dos seus como Patriarca em 1662, Ignatius Andreas Akhidjan. Com a morte de Akhidjan em 1677, a Igreja se dividiu e dois patriarcas rivais foram eleitos, um em comunhão com Roma e um em cisma. Com a morte do Patriarca católico em 1702, morre o incipiente Patriarcado Siríaco católico.

Em 1782 foi eleito Patriarca siríaco o Metropolita de Allepo, Michael Jarweh, com o nome de Ignatius Michael III, o qual se declara católico e pede a comunhão eclesiástica ao Papa. Em razão de perseguições sofridas pelos contrários à união com Roma e pelos otomanos, o Patriarca busca refúgio no Líbano. Em 1831 a sede da Igreja volta a Allepo, mas em 1854 se estabelece em Mardin, na Turquia. No começo do século XX, devido ao genocídio protagonizado pelos turcos contra as minorias étnicas e religiosas, muitos siríacos fugiram e o Patriarcado se estabeleceu em Beirute, no Líbano.

A Igreja utiliza o Rito Antioqueno, ou Siríaco Ocidental, o qual compartilha com a Igreja Siro-Malankar católica e, em menor medida, com a Igreja Maronita, 

São pouco mais de 150 mil fiéis na Síria, Líbano e Iraque. Há também um número significativo na diáspora e uma presença missionária no Sudão.

Está organizada em 2 Arquidioceses Metropolitanas, 4 Arquidioceses e 3 Dioceses, entre as quais a de Beirute no Líbano, própria do Patriarca. Há ainda um Exarcado Apostólico na Venezuela, 3 Exarcados Patriarcais e um território dependente do Patriarca, o Sudão.

Governo

Sua Beatitude Mar Ignatius Youssif III Younan
Patriarca de Antioquia dos Sírios



Nascimento; 15/11/1944 em Hassaké, Síria.
Ordenação Sacerdotal: 12/09/1971
Sagração Episcopal: 7/01/1996 como Bispo de Our Lady of Deliverance of Newark dos Sírios (EUA).
Eleição Patriarcal: 20/01/2009.

Patriarca Emérito de Antioquia dos Sírios


Nascimento: 28/06/1930 em Allepo, Síria.
Ordenação Sacerdotal: 10/06/1954
Sagração Episcopal: 21/07/1977 como Vigário Patriarcal de Jerusalém; em 1991 tornou-se Exarca Patriarcal da mesma circunscrição.
Eleição Patriarcal: 24/02/2001; renunciou ao governo do Patriarcado em 25/01/2008.

Site Oficial do Patriarcado: http://www.syr-cath.org/

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Patriarcado de Alexandria dos Coptas



O Patriarcado de Alexandria dos Coptas é a Sé Primacial da Igreja Copta, uma das 22 Igrejas Orientais Sui juris em comunhão com a Igreja de Roma.

A Igreja foi fundada pelo Apóstolo e Evangelista São Marcos por volta do ano 42. Os cristãos do tempo da fundação eram egípcios de língua copta, os quais se distinguiam dos gregos e dos judeus que aí residiam, sobretudo em Alexandria. Muito cedo, como atestam as recentes descobertas arqueológicas, os textos bíblicos e litúrgicos foram traduzidos para a língua do povo simples, o copta.

Também no Egito se desenvolveu a famosa escola teológica de Alexandria, que tanto prestígio deu à Igreja;  e nasceu o monaquismo, nas pegadas dos santos Antão, Paulo de Tebas, Macário e Pancômio,

Ali nasceu Ario e sua heresia; dali também partiu o combate à mesma na pessoa do Patriarca Santo Atanásio. Também ali se combateu o nestorianismo e se promoveu o ensino do Concílio de Éfeso presidido por São Cirilo, Patriarca de Alexandria. 

Mas o Concílio de Calcedônia não foi recebido com igual adesão.  O Patriarca se opôs à fórmula calcedoniana e à intromissão do imperador nos assuntos eclesiais. Foi deposto e, em seu lugar, foi nomeado um Patriarca que professava a fé ortodoxa. Os seguidores de Dióscoro, Patriarca deposto, escolheram um outro e romperam a comunhão com  a Igreja universal. Esta Igreja cismática, Igreja Copta Ortodoxa de Alexandria é a principal Igreja cristã do Egito, cerca de 10% da população do Egito e deu origem às Igrejas cismáticas da Etiópia e da Eritreia.

Os seguidores do Patriarca Protério de Alexandria, nomeado pelo imperador, passaram a ser conhecidos como Melquitas, do siríaco Malkoyo, "real, imperial". Com o tempo a Igreja seria conhecida como Greco-Melquita. Passou a usar o grego, em vez do copta, em sua liturgia e assimilou muitos costumes dos bizantinos.

Com o Grande Cisma do Oriente, o Patriarca Greco-Melquita de Alexandria posicionou-se a favor do Patriarca de Constantinopla e rompeu a comunhão com a Igreja universal. Assim, no Egito, havia duas Igrejas cismáticas: a Copta não-calcedoniana, amplamente majoritária; e a Greco-Melquita, formada por uma isolada minoria. Esta última abandonou posteriormente o nome Melquita em favor do apelativo Greco-Ortodoxo. Ambas, desde então, alegam possuir a sucessão de São Marcos e a jurisdição sobre o Egito e toda a África.

Em 1442, a representantes da Igreja Copta Ortodoxa assinaram a Bula de união, Cantate Domino, no Concílio de Basileia-Ferrara-Florença. Sem apoio do clero e do povo no Egito, a Bula careceu de qualquer efeito prático. Durante o século XVII chegaram missionários da Igreja latina, principalmente franciscanos, que obtiveram a adesão de alguns coptas. Novamente em 1713, o Patriarca Copta Ortodoxo voltou à comunhão católica, mas também esta adesão não foi duradoura.

Em 1741 o Bispo Copta Ortodoxo Amba Athanasios de Jerusalém tornou-se católico e foi nomeado pela Santa Sé como Vigário Apostólico para atender os cerca de 2 mil coptas católicos no Egito, fruto das missões franciscanas e jesuíticas. Este bispo retornou à Igreja Copta Ortodoxa, deixando a outros sacerdotes o encargo dos fiéis.

Em 1824 o Papa criou um Patriarcado para os Coptas Católicos que, porém, permaneceu no papel. Aqui situa-se o Patriarca Anba Maximos Givaid. Desde a morte do primeiro Patriarca, em 1831, até 1899 a Igreja foi governada por Bispos Administradores Apostólicos. Em 1895, o Papa Leão XIII escolhe como Administrador Apostólico o sacerdote Giorgio Makarios, o qual é sagrado bispo e assume o nome de Cirilo. Em peregrinação a Roma, solicita ao Papa e  dele obtém o restabelecimento do Patriarcado. Em 1899, Anba Kyrillos Makarios é elevado à condição de Patriarca, que ocupa até sua renúncia em 1908.

O Patriarcado teve um notável crescimento nos seus primeiros anos, seguidos de um período de grandes dificuldades. Durante os anos que vão da renúncia do Patriarca até 1947, a Igreja novamente é governada por Administradores Apostólicos. De 1947 até o presente sucederam-se cinco Patriarcas de Alexandria dos Coptas, três dos quais criados cardeais da Santa Igreja Romana.

O Rito da Igreja Copta católica é o Rito Alexandrino, o qual foi a razão de dissensão quando as autoridades pró-constantinopolitanas na Igreja Greco-Melquita de Alexandria o quiseram substituir pelo Rito Bizantino, por volta do século XIII. O Rito Alexandrino é compartilhado com os Coptas Ortodoxos do Egito, e com os Coptas, católicos e ortodoxos, da Etiópia e da Eritreia.

Está organizada em 7 Dioceses, uma das quais a de Alexandria, própria do Patriarca. Além da Catedral de Alexandria, há uma segunda no subúrbio do Cairo, onde está estabelecido o Patriarca. Todas as dioceses se acham no Egito.

Governo

Sua Beatitude Anba Ibrahim Isaac Sidrak
Patriarca de Alexandria dos Coptas 



Nascimento: 19/08/1955 em Beni-Choqueir, no Egito.
Ordenação Sacerdotal: 7/02/1980
Sagração Episcopal: 15/11/2002 como Bispo de Minya dos Coptas.
Eleição Patriarcal: 15/01/2013

Sua Beatitude Eminentíssima o senhor Cardeal Anba Antonios Naguib
Patriarca Emérito de Alexandria dos Coptas 


Nascimento: 18/03/1935, em Samalut, Egito.
Ordenação Sacerdotal: 30/10/1960
Sagração Episcopal: 9/09/1977 como Bispo de Minya dos Coptas.
Eleição Patriarcal: 7/04/2006, renunciou ao governo do Patriarcado em 15/01/2013.
Cardinalato: 20/11/2010 (não-eleitor).

Site Oficial do Patriarcado: http://www.copticcatholicpatriarchate.net/ProvaJ/

Patriarcado de Babilônia dos Caldeus



O Patriarcado de Babilônia dos Caldeus é a Sé Primacial da Igreja Caldeia, uma das 22 Igrejas Orientais Sui juris em comunhão com a Igreja de Roma.

A Igreja Caldeia tem suas origens na Assíria, milenar império mesopotâmico, norte do atual Iraque. Foi fundada nos primórdios do cristianismo por São Tomé, embora inexistisse uma hierarquia organizada até 280 com a escolha e sagração de Papa bar Aggai como bispo de Seleucia-Ctesiphon e chefe da Igreja do Oriente sob o Império Persa. Em 409 recebeu reconhecimento do imperador sassânida e o bispo Mar Isaac foi oficialmente o primeiro Catholicós Patriarca do Oriente.

Com a condenação da heresia nestoriana no Iº Concílio de Éfeso (431), muitos seguidores de Nestório se refugiaram no Império Persa e foram recebidos pela Igreja Assíria do Oriente, assimilando igualmente aquela heresia. Manteve-se desde então separada da Igreja universal. Expandiu-se notavelmente pelo Oriente, chegando à costa da Índia, ao Império Mongol e à China. 

Com o massacre dos Assírios por Tamerlane no final do século XIV e a destruição de Assur, o Patriarcado se mudou para Alqosh e o Patriarca Mar Shimoun IV tornou o ofício de Patriarca hereditário. Um grupo de bispos dissentiu da decisão e, alguns anos depois, elegeu Mar Yukhannan Sulaqa como Patriarca, o qual assumiu o nome de Shimoun VIII. O Patriarca viajou para Roma e entrou em comunhão com a Igreja Católica em 1553, depois de ser recusado pelos siríacos ortodoxos. Assumiu o título de Patriarca dos Assírios Orientais e a Igreja o nome de Igreja de Athura e Mosul; a sede se fixou em Amid. 

Os sucessores de Shimoun VIII foram se afastando de Roma e o último patriarca formalmente reconhecido por Roma foi Shimoun IX falecido em 1600.Nesta data a sucessão hereditária foi reestabelecida e a sede mudou para Qochanis. Em 1692 o cisma se oficializou. Existia desde então dois patriarcas em cisma, o de Alqosh e o de Qochanis, mantendo alguma relação entre eles.

A comunhão com a Igreja Católica foi restabelecida em 1672 com Mar Yousip I, Arcebispo de Amid. A Santa Sé lhe concedeu o título de Patriarca dos Caldeus, embora não existisse qualquer relação dos cristãos assírios com os extintos caldeus. Tal situação se manteve até 1828, com a morte do Patriarca Yousip V.

O então Patriarca da Igreja Assíria, com sede em Alqosh, Yukhannan VIII Hormizd, fez uma profissão de fé católica já em 1780, foi recebido na comunhão católica em 1804, mas apenas em 1830 foi reconhecido como Patriarca de Babilônia dos Caldeus. Assume, então, o governo dos cristãos assírios de Alqosh e de Amid, permanecendo no cisma os de Qochanis.

Seu Rito, chamado impropriamente Caldeu, é o Rito Siríaco Oriental, compartilhado com a Igreja Siro-Malabar Católica da Índia e, em certa medida, pelas Igrejas cismáticas que compartilham a tradição siríaca oriental.

Nos séculos XIX e XX experimentou inúmeras perseguições e hoje sua presença mais significativa acha-se na diáspora. Seu território próprio é o Iraque, o Irã e a Síria.

Possui uma Arquidiocese própria do Patriarca, a de Bagdá no Iraque, mais 3 Arquidioceses Metropolitas, 5 Arquidioceses, 11 Dioceses e 2 territórios dependentes do Patriarca (Lista de Circunscrições Eclesiásticas).

Governo

Sua Beatitude Louis Raphaël I Sako
Catholicós Patriarca de Babilônia dos Caldeus 



Nascimento: 4/07/1948, em Zakho, no Iraque.
Ordenação Sacerdotal: 1º/06/1974.
Sagração Episcopal: 14/11/2003 como Arcebispo Metropolita de Kirkuk dos Caldeus.
Eleição Patriarcal: 31/01/2013

Site da Eparquia de San Diego/CA: http://kaldu.org/.

Patriarcado de Cilícia dos Armenos


O Patriarcado de Cilícia dos Armenos é a Sé primacial da Igreja Armena, uma das 22 Igrejas Orientais Sui juris em comunhão com a Igreja de Roma.

O cristianismo na Armênia foi plantado pelos Apóstolos São Bartolomeu e São Tadeu, e o Reino se tornou o primeiro a tornar o cristianismo religião oficial, já em 301 d.C., no tempo de São Gregório Iluminador, o primeiro Catholicós.

A Igreja Apostólica Armênia separou-se das Igrejas Católicas e Ortodoxas após o Concílio de Calcedônia (451 d.C). Desde então numerosos bispos buscaram restabelecer a comunhão com a Igreja universal sem, contudo, alcançar sucesso. Na época das cruzadas de 1195-1198, os armênios do breve Reino Armênio da Cilícia (atual Turquia) restabeleceram a comunhão com a Igreja Católica até a queda deste nas mãos dos mamelucos (1375). No Concílio de Basileia-Ferrara-Florença (1439) esta união foi restabelecida, sem qualquer efeito prático.

Uma terceira tentativa, esta sim frutífera, se deu em 1740 com a eleição de Apraham Bedros I Ardzivian como Patriarca de Sis, Cilícia. O Papa Bento XIV o reconheceu como líder dos armenos católicos e lhe concedeu o pálio, dando origem a um Patriarcado Armeno Católico. A situação instável dos armenos católicos no Império Otomano levou paulatinamente a um deslocamento da sua região de origem, na atual Turquia, para o Líbano e a Síria.

Para fugir do Holocausto Armeno, perpetrado pelos turcos, os armenos se estabeleceram nos países vizinhos, sobretudo no Líbano, cuja mosteiro Bzoummar remonta ao tempo do Patriarca Ardzivian, e na Síria.

A liturgia da Igreja Armena foi celebrada, nos primórdios, nos moldes e línguas dos gregos e dos siríacos. Uma vez criado, para a língua armena, um alfabeto, foi possível o desenvolvimento de uma liturgia própria, o Rito Armeno que, mantendo sua base antioquena, foi assumindo elementos da liturgia hierosolimitana. Os traços comuns, ainda hoje perceptíveis, entre o Rito Armeno e o Rito Romano se devem a esta herança da liturgia de Jerusalém.

O território do Patriarcado se estende por todo Oriente Cristão, com destaque para o Líbano e a Síria. Alguns remanescentes se acham ainda na Turquia e, em menor número, na Armênia. Por razões históricas há um grande número de armenos na diáspora.

Sua sede fica em Beirute, no Líbano.

Conta com 1 Arquidiocese própria do Patriarca, a de Beirute no Líbano, e outras 4 Arquidioceses (Allepo, Bagdá, Constantinopla e Lviv) e mais 6 Dioceses. Conta ainda com 1 Exarcado Apostólico para a América Latina e o México, 3 Ordinariatos e 2 Exarcados Patriarcais (Lista de Circunscrições Eclesiásticas).

Governo

Catholicós Patriarca de Cilícia dos Armenos


Nascimento: 15/11/1934 em Aleppo, na Síria.
Ordenação Sacerdotal: 28/03/1959.
Sagração Episcopal: 13/02/1977 como Vigário Apostólico da França, e desde 30/06/1986 Bispo de Sainte-Croix-de-Paris dos Armenos e Visitador Apostólico para a Europa Ocidental. Renunciou ao governo da Diocese em 8/06/2013.
Eleição Patriarcal: 24/07/2015.

Site Oficial do Patriarcado: http://www.armeniancatholic.org/

terça-feira, 28 de julho de 2015

Patriarcado de Antioquia dos Greco-Melquitas


O Patriarcado de Antioquia dos Greco-Melquitas é a Sé Primacial da Igreja Greco-Melquita, uma das 22 Igrejas Orientais Sui juris em comunhão com a Igreja de Roma.

Nascida em Antioquia, a Igreja Greco-Melquita não é uma igreja nacional, embora intimamente ligada à Síria. O Patriarcado está associado também às sés patriarcais de Alexandria e Jerusalém.

A Igreja de Antioquia, na atual Turquia, é considerada a Igreja dos gentios mais antiga do mundo, segundo São Lucas, ele próprio um sírio de língua grega. Ali os discípulos do Senhor receberam, pela primeira vez, o nome de cristãos.  A de Jerusalém, por outro lado, era formada basicamente por judeus conversos. Os Apóstolos São Pedro e São Paulo são considerados os fundadores da Igreja, tendo sido São Pedro seu primeiro bispo. Antes de partir para Roma, São Pedro deixou os Santos Evódio e Inácio como chefes, tendo ambos perecido debaixo da perseguição romana.

No primeiro Concílio de Niceia (325) é reconhecida a importância do bispo de Antioquia e à Sé é conferida a condição de Patriarcado, juntamente com Roma, Alexandria e Jerusalém.

A proeminência da Igreja de Antioquia tornou ainda mais dramática a disputa em torno da profissão de fé calcedoniana. Em 518, o Patriarca Mar Severius de Antioquia, anti-calcedoniano, foi deposto e procurou refúgio em Alexandria.

Um Patriarca calcedoniano, Paulo, manteve a sucessão dos Patriarcas de Antioquia, cuja Igreja passa a ser conhecida como Greco-Melquita. Tornou-se conhecida pelo nome "grego", em razão de sua vinculação ao Império Romano, de língua grega, e pelo de "melquita" (real), em razão de sua posição teológica em favor do imperador no Concílio de Calcedônia. Tal alcunha tinha caráter pejorativo e lhe foi dada pelos hereges monofisitas. 

A ligação com o Império Bizantino lhe daria uma liturgia própria, o Rito Bizantino, que se sobrepôs ao seu Rito Antioqueno original.

Depois do Grande Cisma, os Melquitas procuraram manter equidistância entre as Sés de Roma e de Constantinopla. Mas tal atitude mudou e o Patriarca se alinhou sempre mais com Constantinopla, rompendo assim a comunhão com a Igreja de Roma.  Tentativas infrutíferas foram feitas para se restabelecer a comunhão, entre elas, o Concílio de Basileia-Ferrara-Florença.

Em 1724, os bispos melquitas da Síria elegeram Cirilo VI Tanas como Patriarca. Considerado muito ocidental, foi deposto pelo Patriarca de Constantinopla, o qual nomeou um monge grego como Patriarca. Desde então passou a haver dois Patriarcas para aquela Sé, o Greco-Melquita e o Greco-Ortodoxo.

Em 1729, o Papa Bento XIII reconheceu Cirilo VI como legítimo Patriarca de Antioquia e a Igreja Greco-Melquita de Antioquia voltou à comunhão com a Igreja universal. Os cismáticos se constituíram numa Igreja vinculada a Constantinopla e renunciaram à identificação de melquita em favor de greco-ortodoxa.

O Patriarca Greco-Melquita, em comunhão com a Igreja de Roma, considera-se também o legítimo hierarca dos greco-melquitas de Alexandria e Jerusalém.

Também a Igreja Siríaca Católica e a Igreja Maronita tem suas origens na antiga Sé de Antioquia.

O território próprio do Patriarcado é todo o Oriente Cristão e o mundo árabe. Seus 1 milhão e 620 mil fiéis estão principalmente na Síria, no Líbano, na Jordânia e em Israel. Conta também com milhares de fiéis espalhados pela diáspora nos Estados Unidos, Canadá, México, Brasil, Austrália e Nova Zelândia.

Sua sede fica em Damasco, na Síria.

Conta com 1 Arquidiocese própria do Patriarca, a de Damasco, 1 Arquidiocese Metropolita, a de Tyr, no Líbano e 12 Arquidioceses. Forma-se ainda de 5 Dioceses, 2 Exarcados Apostólicos, 3 Exarcados Patriarcais e 2 territórios dependentes do Patriarca - (Lista de Circunscrições Eclesiásticas).

Governo

Sua Beatitude Gregorios III Laham 
Patriarca de Antioquia dos Greco-Melquitas



Nascimento: 15/12/1933, em Darayya, Síria.
Ordenação Sacerdotal: 15/02/1959.
Sagração Episcopal: 27/11/1981 como Arcebispo Vigário Patriarcal em Jerusalém e, desde 1990, exarca patriarcal de Jerusalém. 
Eleição Patriarcal: 29/11/2000.

Site Oficial do Patriarcado: http://www.pgc-lb.org/

Patriarcado de Antioquia dos Maronitas



O Patriarcado de Antioquia dos Maronitas é a Sé primacial da Igreja Maronita, uma das 22 Igrejas Católicas Orientais Sui juris em comunhão com a Igreja de Roma.

A Igreja foi fundada por um monge siríaco, São Maron, amigo de São João Crisóstomo, que deixando a cidade de Antioquia se estabeleceu no deserto da Síria. Em razão da violência que se seguiu ao Concílio de Calcedônia, os monges discípulos de São Maron buscaram refúgio no Líbano. O patriarcado foi instituído no século VII, tendo São João Maron como primeiro Patriarca.

É uma das três Igrejas orientais católicas que se vinculam ao antigo Patriarcado de Antioquia, juntamente com a Igreja Greco-Melquita e a Igreja Siríaca. A Igreja Maronita alega jamais ter rompido a comunhão com a Igreja de Roma, embora tenha se mantido isolada por razões históricas durante muitos séculos. É a única das Igrejas orientais católicas que não possui uma contraparte ortodoxa.

Usa o Rito Maronita, uma versão do antigo Rito Antioqueno ou Siríaco Ocidental. Sofreu inúmeras influências do Rito Romano ou Ocidental.

O território próprio da Igreja Maronita é o Líbano, onde estão os quase 1 milhão de católicos maronitas. Outros 2 milhões de maronitas se encontram na Síria, no Egito, em Israel e em Chipre e na diáspora, principalmente na França, nos Estados Unidos, no Canadá, no México, no Brasil e na Argentina. São aproximadamente 3 milhões e duzentos mil maronitas, formando a terceira Igreja oriental em número, superada apenas pelos Ucranianos e Malabares.

Sua sede fica em Bkerké, no Líbano.

Conta com 8 Arquidioceses e 16 Dioceses, uma das quais é governada pelo próprio Patriarca, como sua eparquia própria. Existem ainda um Exarcado Apostólico na Nigéria e dois Exarcados Patriarcais na Palestina e na Jordânia - (Lista de Circunscrições Eclesiásticas).

Governo

Sua Beatitude Eminentíssima o senhor Cardeal Mar Bechara Boutros al-Rahi.
Patriarca de Antioquia dos Maronitas


Nascimento: 25/02/1940 em Himlaya, Líbano.
Ordenação Sacerdotal: 3/09/1967.
Sagração Episcopal: 12/07/1986, como Bispo Auxiliar de Antioquia; promovido a Bispo de Jbeil em 9/06/1990 e eleito Patriarca em 15/03/2011. 
Eleição Patriarcal: 15/03/2011
Cardinalato: 24/11/2012.

Sua Beatitude Eminentíssima o senhor Cardeal Mar Nasrallah Boutros Sfeir
Patriarca Emérito de Antioquia dos Maronitas


Nascimento: 15/03/1920 em Rayfoun, Líbano.
Ordenação Sacerdotal: 7/05/1950.
Sagração Episcopal: 16/07/1961 como Bispo Vigário Patriarcal de Antioquia e, desde 1985, Vigário Geral do mesmo Patriarcado.
Eleição Patriarcal: 19/04/1986; renunciou ao governo do Patriarcado em 26/02/2011.
Cardinalato: 26/11/1994, (não-eleitor).

Site Oficial do Patriarcado: http://www.bkerke.org.lb/

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Panorama do Catolicismo Oriental

As Igrejas Orientais Católicas são um conjunto de Igrejas Particulares de Rito Oriental que estão em comunhão com o Papa, Bispo de Roma. São Igrejas Católicas, mas não Romanas. Estão presentes tanto no seu ambiente original, o Oriente Cristão, quanto no Extremo Oriente e na diáspora.

Sua identidade se caracteriza por um conjunto de tradições eclesiais próprias, que vão muito além do aspecto meramente litúrgico, a que chamamos Ritos. Estes Ritos tiveram origem nas antigas Sedes Apostólicas, se expandiram pelo labor missionário e se estabeleceram em novas paragens, levados pelos migrantes. São eles o Rito Alexandrino, o Rito Siríaco Ocidental, Antioqueno e Maronita, o Rito Siríaco Oriental, o Rito Bizantino e o Rito Armeno.

As Igrejas Orientais se distinguem quanto ao estatuto canônico, o qual determina também seu grau de autonomia jurisdicional. Podem se organizar como Patriarcados, Arquidioceses Maiores, Metropolias, Eparquias ou ainda jurisdições inferiores. Onde não há uma hierarquia oriental estabelecida, os fiéis orientais são governados por um ordinário latino nomeado pela Santa Sé.

Para uma visão geral, oferecemos uma lista de Igrejas Orientais, com números aproximados. O número de católicos orientais aproxima-se de 20 milhões de fiéis.

I - Patriarcados

1. Igreja Maronita, de Rito Maronita (Antioqueno ou Siríaco Ocidental), com 3.300.000 fiéis.
2. Igreja Greco-Melquita, de Rito Bizantino, com 1.620.000 fiéis.
3. Igreja Armena, de Rito Armeno, com 1.000.000 de fiéis.
4. Igreja Caldeia, de Rito Siríaco Oriental, com 490.000 fiéis.
5. Igreja Copta, de Rito Alexandrino, com 165.000 fiéis.
6. Igreja Siríaca, de Rito Antioqueno ou Siríaco Ocidental, com 160.000 fiéis.

II - Arquidioceses Maiores

1. Igreja Ucraniana, de Rito Bizantino, com 5.350.000 fiéis.
2. Igreja Siro-Malabar, de Rito Siríaco Oriental, com 4.600.000 fiéis.
3. Igreja Romena, de Rito Bizantino, com 660.000 fiéis.
4. Igreja Siro-Malankar, de Rito Antioqueno ou Siríaco Ocidental, com 420.000 fiéis.

III - Metropolias

1. Igreja Rutena, de Rito Bizantino, com 650.000 fiéis.
2. Igreja Húngara, de Rito Bizantino, com 290.000 fiéis.
3. Igreja Eslovaca, de Rito Bizantino, com 240.000 fiéis.
4. Igreja Etíope, de Rito Alexandrino, com 230.000 fiéis.
5. Igreja Eritreia, de Rito Alexandrino, com 160.000 fiéis.

IV - Eparquias

1. Igreja Ítalo-Albanesa, de Rito Bizantino, com 62.000 fiéis.
2. Igreja Croata, de Rito Bizantino, com 44.000 fiéis.

V - Outras Jurisdições

1. Igreja Macedoniana, de Rito Bizantino (Exarcado Apostólico), com 12.000 fiéis.
2. Igreja Búlgara, de Rito Bizantino. (Exarcado Apostólico), com 10.000 fiéis.
3. Igreja Bielorrussa, de Rito Bizantino (governada por um Visitador Apostólico), com 9.000 fiéis.
4. Igreja Grega, de Rito Bizantino (Exarcado Apostólico), com 6.000 fiéis.
5. Igreja Albanesa, de Rito Bizantino (Administração Apostólica) com 4.000 fiéis.

Igrejas Orientais Católicas

Atendendo a pedidos, publicaremos uma série sobre as Igrejas de Rito Oriental em comunhão com a Sé Romana.

Uma publicação inicial que dê uma visão global do catolicismo oriental será seguida de publicações específicas sobre cada Igreja sui juris.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Falecimento do Cardeal BAUM

Faleceu hoje, em Washington, o senhor Cardeal William Wakefield Baum, aos 88 anos. O Sacro Colégio dos Cardeais passa a contar com 219 purpurados, dos quais 120 são eleitores e 99 não-eleitores.

Sua Eminência Reverendíssima William Wakefield Cardeal Baum
Arcebispo Metropolita Emérito de Washington
Penitenciário-Mor Emérito


Nascimento: 21/11/1926, em Dallas - EUA.
Educação: Pontifício Ateneu Angélico (doutorado em teologia).
Sacerdócio: 12/05/1951 para a Diocese de Kansas City.
Ministério Pastoral: professor; trabalhos paroquiais; serviço no tribunal eclesiástico; chanceler da cúria.
Episcopado: 6/04/1970 como Bispo de Springfield-Cape Girardeau; promovido a Arcebispo de Washington em 5/03/1973; renunciou ao governo da Arquidiocese em 18/03/1980 e foi nomeado Prefeito da Congregação para a Educação Católica; transferido como Penitenciário-Mor em 6/04/1990; renunciou ao posto em 22/11/2001.
Cardinalato: 24/05/1976 com o título de Santa Cruz "in Via Flaminia".

Participou dos conclaves que elegeram o Papa João Paulo I, João Paulo II e Bento XVI.
Perdeu o direito de eleger o Pontífice Romano em 21/11/2006, quando completou 80 anos de idade.

Falecimento: 23/07/2015, em Washington - EUA.

sábado, 11 de julho de 2015

Falecimento do Cardeal BIFFI

Faleceu hoje, em Bolonha, o senhor Cardeal Giacomo Biffi, aos 87 anos. O Sacro Colégio dos Cardeais passa a contar com 220 purpurados, dos quais 120 são eleitores e 100 não-eleitores.

Sua Eminência Reverendíssima Giacomo Cardeal Biffi
Arcebispo Metropolita Emérito de Bologna


Nascimento: 13/06/1928, em Milão - Itália.
Educação: Seminário Arquiepiscopal de Venegono (doutorado em teologia).
Sacerdócio: 23/12/1950 para a Arquidiocese de Milão.
Ministério Pastoral: professor; pároco.
Episcopado: 11/01/1976 como Bispo Auxiliar de Milão; promovido a Arcebispo de Bolonha em 19/04/1984; renunciou ao governo da Arquidiocese em 16/12/2003.
Cardinalato: 25/05/1985 com o título de São João Evangelista e São Petrônio.

Participou do conclave que elegeu o Papa Bento XVI.
Perdeu o direito de eleger o Pontífice Romano em 13/06//2008, quando completou 80 anos de idade.

Falecimento: 11/07/2015, em Bolonha - Itália.

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